Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

A Igreja é contra a dissecação de cadáveres?


A dissecação de corpos para o estudo da anatomia é relatada desde o século IV a.C., especialmente no Egito e Grécia. Em geral, os estudiosos abstinham-se do uso de corpos humanos, preferindo animais irracionais como o macaco e o porco.

Em respeito ao costume vigente, os médicos cristãos nada inovaram até o século XIV d.C., quando a partir de então passaram a praticar as autópsias. Em 1308 (ou 1368), o Grão-Conselho de Veneza autorizou a realização de 01 (uma) dissecação humana por ano. Em 1316, Mondino dei Luzzi, retalhou e examinou dois cadáveres femininos em Bolonha.

O Magistério da Igreja, de modo geral, não impôs resistência ao novo costume. As poucas condenações emanadas são meramente de cunho regional (Paris, 1345) ou ética (Bula "De sepulturis", Bonifácio VIII). Um manuscrito da Biblioteca Colombina informa, inclusive, que as autoridades eclesiásticas autorizaram a abertura do crânio de um estudante que morrera durante uma orgia, a fim de se comprovar ou não os estudos do sábio árabe Avicena acerca da relação entre os excessos sexuais e o cérebro.

As primeiras Universidades a adotarem a praxe da dissecação de cadáveres humanos foram a de Bolonha e a de Paris, nos séculos XIV/XV.

Como bem resume d. Estêvão Bettencourt (PR 342, nov/1990, p. 527):



Por parte da moral cristã, nada há que opor aos estudos da anatomia em cadáveres, contanto que nessas operações se observem recato e reverência.


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