Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

A Cátedra de Pedro, dom de Cristo à sua Igreja


Catequese pronunciada pelo Papa Bento XVI na Audiência Geral de 22.02.2006:

Queridos irmãos e irmãs:

A Liturgia latina celebra hoje a festa da Cátedra de São Pedro. Trata-se de uma tradição muito antiga, testemunhada em Roma desde o século IV, com a qual se dá graças a Deus pela missão confiada ao Apóstolo Pedro e aos seus sucessores. Literalmente, a "cátedra" é a sede fixa do Bispo, posto na igreja matriz de uma Diocese, que por isso é chamada "catedral", e constitui o símbolo da autoridade do Bispo e, em particular, do seu "magistério", ou seja, do ensinamento evangélico que ele, enquanto sucessor dos Apóstolos, é chamado a conservar e a transmitir à Comunidade cristã. Quando o Bispo toma posse da Igreja particular que lhe foi confiada, ele, com a mitra e o báculo, senta-se na cátedra. Como mestre e pastor, daquela sede ele orientará o caminho dos fiéis, na fé, na esperança e na caridade.

Portanto, qual foi a "cátedra" de São Pedro? Escolhido por Cristo como "rocha" sobre a qual edificar a Igreja (cf. Mt 16, 18), ele começou o seu ministério em Jerusalém, depois da Ascensão do Senhor e do Pentecostes. A primeira "sede" da Igreja foi o Cenáculo, e provavelmente naquela sala onde também Maria, a Mãe de Jesus, rezou juntamente com os discípulos para que fosse reservado um lugar especial a Simão Pedro. Em seguida, a sé de Pedro tornou-se Antioquia, cidade situada à margem do rio Oronte, na Síria, hoje na Turquia, naquela época terceira metrópole do império romano, depois de Roma e de Alexandria do Egipto. Daquela cidade, evangelizada por Barnabé e Paulo, onde "os discípulos receberam, pela primeira vez, o nome de "cristãos" (At 11, 26), onde, portanto, nasceu para nós o nome de cristãos, Pedro foi o primeiro Bispo, a tal ponto que o Martirológio Romano, antes da reforma do calendário, previa também uma celebração específica da Cátedra de Pedro em Antioquia. Dali, a Providência conduziu Pedro até Roma. Portanto, temos o caminho de Jerusalém, Igreja nascente, em Antioquia, primeiro centro da Igreja acolhida pelos pagãos e ainda unida com a Igreja proveniente dos Judeus. Depois Pedro dirigiu-se para Roma, centro do Império, símbolo do "Orbis" a "Urbs" que expressa o "Orbis" a terra onde ele terminou com o martírio a sua corrida ao serviço do Evangelho. Por isso a sede de Roma, que tinha recebido a maior honra, acolheu também o ónus confiado por Cristo a Pedro, de se colocar ao serviço de todas as Igrejas particulares, para a edificação e a unidade de todo o Povo de Deus.

A sede de Roma, depois destas migrações de São Pedro, torna-se assim reconhecida como a do sucessor de Pedro, e a "cátedra" do seu Bispo representou a do Apóstolo encarregado por Cristo, de apascentar todo o seu rebanho. Testemunham-no os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo Santo Ireneu, Bispo de Lião, proveniente porém da Ásia Menor, que no seu tratado Contra as heresias descreve a Igreja de Roma como "a maior e a mais antiga, conhecida por todos; ...fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosíssimos Apóstolos Pedro e Paulo"; e acrescenta: "Com esta Igreja, pela sua exímia superioridade, deve conciliar-se a Igreja universal, ou seja, os fiéis que estão em toda a parte" (III, 3, 2-3). Tertuliano, um pouco mais tarde, por sua vez, afirma: "Como é feliz esta Igreja de Roma! Foram os próprios Apóstolos que derramaram nela, com o próprio sangue, toda a doutrina" (A prescrição dos hereges, 36). Portanto, a cátedra do Bispo de Roma representa não apenas o seu serviço à comunidade romana, mas a sua missão de guia de todo o Povo de Deus.

Celebrar a "Cátedra" de Pedro, como fazemos hoje, significa, portanto, atribuir-lhe um forte significado espiritual e recolhecer-lhe um sinal privilegiado do amor de Deus, Pastor bom e eterno, que quer reunir toda a sua Igreja e orientá-la no caminho da salvação. Entre os numerosos testemunhos dos Padres, apraz-me evocar o de São Jerónimo, tirado de uma das suas epístolas escritas ao Bispo de Roma, particularmente interessante porque faz referência explícita precisamente à "cátedra" de Pedro, apresentando-a como segura meta de verdade e de paz. Assim escreve Jerónimo: "Decidi consultar a cátedra de Pedro, onde se encontra aquela fé que a boca de um Apóstolo exaltou; agora venho pedir um alimento para a minha alma ali, onde outrora recebi a veste de Cristo. Não busco outro primado, a não ser o de Cristo; por isso, ponho-me em comunhão com a tua bem-aventurança, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja" (Cartas I, 15, 1-2).

Amados irmãos e irmãs, na abside da Basílica de São Pedro, como sabeis, encontra-se o monumento à Cátedra do Apóstolo, obra adulta de Bernini, realizada em forma de um grande trono de bronze, sustentado pelas imagens de quatro Doutores da Igreja, dois do Ocidente, Santo Agostinho e Santo Ambrósio, e dois do Oriente, São João Crisóstomo e Santo Atanásio. Convido-vos a deter-vos diante desta obra sugestiva, que hoje é possível admirar decorada com numerosas velas, e rezar de maneira particular pelo ministério que Deus me confiou. Elevando o olhar ao vitral de alabastro que se abre precisamente acima da Cátedra, invocai o Espírito Santo a fim de que sustente sempre com a sua luz e a sua força o meu serviço quotidiano a toda a Igreja. Por isto, bem como pela vossa atenção devota, agradeço-vos de coração".

(Fonte: Site do Vaticano - http://www.vatican.va)


Sábado, 26 de Abril de 2008

A Cruz Invertida usada pelo Papa é símbolo do Anticristo?

Um protestante tomou a iniciativa de me encaminhar duas fotos da visita do papa à Terra Santa. Nelas aparece o Santo Padre sentado em um trono contendo uma cruz invertida. Desconhecendo totalmente o simbolismo da Igreja, passou esse irmão a atacar o papa (em azul), considerando-o o Anticristo. As minhas respostas seguem em preto.

E-Mail nº 1: "PAPA NO TRONO DE SATANÁS"

Contra fatos não há argumentos. Todos sabemos que a cruz invertida é o símbolo do anticristo. Veja o trono de satanás e quem está nele! (André)

Você está deixando a emoção sobrepor a razão (aliás, é o que mais ocorre em suas mensagens). A cruz invertida para os cristãos simboliza a forma como São Pedro morreu: crucificado de cabeça para baixo, como atestam inúmeros testemunhos primitivos. Portanto, não há nenhum símbolo anticristão na cátedra usada pelo papa em sua visita à Terra Santa e não há o porquê de se estranhar o uso de tal símbolo pelo legítimo sucessor de São Pedro. Pesquise a História antes de sair por aí espalhando semelhante atestado de desconhecimento, que apenas depõe contra a sua seriedade...

[]s. Que Deus te ilumine.

E-Mail nº 2: "CRISTÃO CRÊ EM CRISTO"

O catolicismo tem de tudo, menos cristianismo.

Que poder ou significado tem a cruz de Pedro?

Cristão crê em Cristo! A cruz de cabeça para baixo significa anticristo, não descendência de Pedro. Se o catolicismo fosse cristão realmente, colocariam a cruz de Cristo!

"Não se engane com vãs filosofias"...

Como não poderia deixar de ser diferente, você continua a se guiar mais pela emoção (anticatólica) do que pela razão...

Poder e significado não são palavras sinônimas! Que poder tem a cruz de Pedro para o cristão? Nenhum, porque fomos salvos *unicamente* por Cristo, por sua morte redentora na cruz. Que significado tem a cruz de Pedro? Vários: o valor do martírio, sua sucessão, e, principalmente, a lição de humildade deste servo dos servos de Deus, já que foi o próprio São Pedro que pediu para ser crucificado de cabeça para baixo por se julgar indigno de morrer exatamente da mesma forma que seu Mestre e Senhor, Jesus (certamente já prevendo que depois, num mundo paganizado e blasfemo, existiriam pessoas - como você mesmo! - que poderiam fazer alguma espécie de confusão, não sabendo distinguir *com precisão* o significado da morte de ambos por crucifixão, embora de maneira distinta para salientar as diferenças de significado).

A cruz de cabeça para baixo significa anticristo? Isto é o que *você* diz! Mas de onde você retirou esta afirmação??? Da Bíblia?? Qual?? Onde se encontra essa passagem??? Tenho 11 Bíblias, sendo 5 de origem protestante e nenhuma delas diz que a cruz invertida é símbolo do anticristo. Ao contrário, parece que esta sua afirmação provém de algum livro de magia negra ou satanismo, escrito por pessoas que ignoram completamente *o fato* de Pedro ter sido crucificado de cabeça para baixo e usam a *"criatividade"* da cruz invertida para demonstrar a total contrariedade entre Satanás e Deus. Ou será que você vai querer afirmar que Satanás foi crucificado também (o que, aliás, não me causaria espanto; afinal, recentemente, um pastor da Assembléia de Deus afirmou que Satanás se converteu... O que não permite a "sola scriptura", não?)?? Ora, entre a Bíblia e os livros de origem satânica, fico com a Bíblia pois ela é verdadeiramente inspirada por Deus e nela não se encontra qualquer afirmação de que a cruz invertida não pode ser usada como símbolo cristão, por ser "símbolo do anticristo".

A cruz invertida não pode significar descendência de Pedro? Então por que no túmulo de São Pedro, na Basílica do Vaticano, aparece gravada a mesma cruz invertida? Não apenas expressa o seu martírio na cruz, de cabeça para baixo, como também a descendência petrina de seus sucessores, os papas, já que estes ocupam a mesma cátedra episcopal de Roma e, portanto, têm relação direta e ininterrupta - no tempo - com Pedro. Mera questão de história combinada com simbologia de origem cristã, amplamente documentado, mas que muitos protestantes - a maioria por ignorância mesmo - interpretam erroneamente (às vezes recorrendo a fontes não-cristãs e até mesmo anti-cristãs, como neste caso sobre a cruz invertida, onde você precisa se basear em fontes satânicas medievais esquecendo que a cruz invertida já era usada muito e muito antes pelos cristãos, na Idade Antiga, como símbolo do martírio de São Pedro, entre outros).

Você escreve: "não se engane com vã filosofias", certamente retirada de Col. 2,8. Eu, porém, retribuo mostrando que a simbologia da cruz invertida tem *origem cristã*, deturpada depois (bem depois!), por total ignorância, pelos satanistas e feiticeiros (lembre-se: Satã não foi crucificado!), mas que, mesmo assim, pode também ser usada pelos cristãos, pois estes sabem interpretá-la corretamente devido à sua cultura e contexto eclesial (exceto quando querem fazer uso de expedientes pouco condizentes com a caridade cristã [é princípio cristão julgar com benevolência as ações do próximo enquanto um sinal evidente de maldade não se verifique] ou antibíblicos [como a doutrina da "sola scriptura", cujo pressuposto fundamental contraditoriamente não se encontra na Bíblia]). Ficam assim, para você, duas lições retiradas da Bíblia e não de livros de ocultismo:

    • Jo 7,24: "Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo". Não se esqueça que julgar temerariamente pode ser pecado gravíssimo. Logo, "não julgueis, para que não sejais julgados" (Mt 7,1), principalmente quando não houver provas sólidas.
    • 2Ped 1,20; 3,15-16 cc. At 8,31; Jo 16,13; 1Tim 3,15 etc.: Nada na Bíblia é de particular interpretação. Cabe à Igreja (a verdadeira Igreja, não essas portinhas que pululam pelas esquinas) a tarefa de interpretar legitimamente as Escrituras, pois somente aos apóstolos (e seus sucessores) foi dada essa tarefa com a certeza de inerrância graças ao apoio do Espírito Santo.

O cristão crê em Cristo? Pois então obedeça ao que Ele ensinou, começando por parar de julgar sem provas sólidas e reconhecendo seus legítimos pastores.

E-Mail nº 3: "CATOLICISMO / SATANISMO"

Defendendo a verdade. Confira o url da HP Artigos da Cutting Edge e veja se pode contrariar as verdades!

O que está acontecendo com você? Perdeu a personalidade, ficou sem resposta, ou o "Espírito Santo" parou de inspirá-lo diretamente?? Agora você deu para mandar artigos de outros protestantes fundamentalistas que, como você, precisam recorrer a fontes de magia negra e satanismo para "explicar" a cruz invertida?? Você não respondeu ao meu e-mail anterior e, por isso, volto a perguntar: afinal de contas, *para você* o que vale é o que está escrito na Bíblia ou o que consta nos manuais satânicos, escritos por homens ignorantes que desconheciam que a cruz invertida também tem origem cristã (com uma antecedência de quase 1000 anos)?

Você acusa levianamente os católicos (ou pelo menos o papa) de satanistas, no entanto, é *você* e o "pr." Bay que estão recorrendo ao Satanismo (e, por extensão, ao Ocultismo e Magia Negra), defendendo o ponto de vista *deles* e a explicação *deles* para tal simbolismo! Não sei quanto ao "pr." Bay, mas acaso você abandonou a "sola Scriptura" para recorrer ao "sola 'Satanás'"? A Bíblia não é mais suficiente para você??

O *fato*, até o momento, é apenas um: nem você, nem o "pastor" David Bay - que "defendem" tanto a Bíblia (segundo a [falsa] interpretação de vocês e conforme a heresia da "sola scriptura") - mostram *onde* a Bíblia afirma que a cruz invertida é símbolo do anticristo... Vamos! Você acusou, você tem a obrigação de provar: em que parte da Bíblia está escrito que a cruz invertida é símbolo de Satã ou do anticristo?? Mas, por favor, não me venha com malabarismos ou interpretações artificiais, arduamente construídas; lembre-se: já fui protestante como você e já ataquei a Igreja Católica como você; e, como protestante, seguia a sola Scriptura (como você e o "pr." Bay teoricamente deveriam fazer, sem precisar recorrer a fontes satânicas); logo, para mim valia o que estava *explicitamente* na Bíblia, sem qualquer tipo de rodeio (e é assim também que *todo* protestante crê)... Então, simplesmente prove o que afirma com a sua Bíblia Sagrada ou pare de "atirar no escuro", com prejuízo para a sua própria alma.

Fico, portanto, aguardando a sua *rápida*, *clara* e *breve* resposta: Livro, capítulo e versículo(s). Apenas isso é o suficiente; não precisa recorrer a outras pessoas que, em seu delírio, também só sabem ficar falando, falando, falando, sem nada provar...

E-Mail nº 4: "*RÁPIDA*, CLARA E BREVE RESPOSTA"

Prezado André,

Pax!

Para quem pediu apenas a indicação do livro, capítulo e versículo(s) da Bíblia, sua resposta não foi rápida (demorou 2 dias), não é clara (resolveu abordar outros assuntos como o "símbolo de shiva" e a "cruz vergada", baseados no "pr." Bay) e, muito menos, é breve (aproximadamente 10 parágrafos, tornando-se a maior de suas mensagens até o momento).

Mas vamos lá; vamos analisar o que você escreveu...

A cruz invertida, dentre outros símbolos, não está na bíblia.

Ótimo! Logo você não pode afirmar categoricamente que ela é símbolo do Anticristo ou de Satanás, ao contrário do número 666 que ali se encontra e que você pode afirmar que é o símbolo do Anticristo ou de Satanás.

Isso basta para não crermos, ou melhor, para ficarmos com um pé atrás. Porque pregar "além do que está escrito" já não é mais ser cristão.

Perfeito! E assim você acaba de cair em contradição porque em suas mensagens você está pregando *além* do que está escrito. Foi você mesmo que escreveu acima: "a cruz invertida, dentre outros símbolos, não está na bíblia". Ora, se não está na Bíblia, está *além* dela...

Conhecer as crenças não é ir "além das escrituras", como pensa, porque eu não sigo nem creio em outras doutrinas, apenas tomo conhecimento, assim como fiz com a doutrina católica (tenho TODO o teu site offline para estudo, dentre outros) tb tenho a doutrina satânica, mulçumana, macumbeira, etc...

Uma coisa é querer conhecer as crenças para saber o que *expressamente* contradizem a Palavra de Deus escrita (ou seja, a Bíblia); outra coisa, completamente diferente, é colocar todas as crenças "dentro de um mesmo saco" e interpretá-las juntas conforme a sua visão protestante (que - deixemos bem claro - pode ser diametralmente diferente de milhares de outras visões protestantes que usam a mesma Bíblia que a sua), misturando elementos não reconhecidos de uma nas demais, como você insiste e persiste em fazer neste caso da cruz invertida. Portanto, meu caro, não basta conhecer, é necessário aprender e o principal: saber discernir!

O que fiz foi uma comparação entre o catolicismo e o satanismo. Realmente existe a cruz invertida no satanismo e também no catolicismo. Ou seja, existe algo em comum.

O que você tem feito até agora é faltado com o seu dever de caridade cristã, fazendo acusações sem apresentar provas sólidas e contundentes; verdadeiro terrorismo religioso. Não é porque você encontra o mesmo símbolo em duas religiões, totalmente diferentes (e completamente opostas entre si), que irá significar que, no fundo, são comuns, uma vez que a *origem* de seu simbolismo é diferente, o que refletirá no seu *significado* final. Você não sabe que não se deve julgar por aparências? Se sabe, talvez ainda não tenha aprendido!

Ora, os judeus e os romanos semelhantemente queimavam incenso para as suas divindades; essa semelhança, porém, não significa que o Deus único Javé dos judeus era falso, nem que os ídolos romanos eram verdadeiras divindades. Em cultos pentecostais (cansei de ver isso em minha ex-igreja) muitos fiéis entram em êxtase e diversos falam em línguas desconexas, o que também ocorre nos terreiros de umbanda e candomblé (como você já deve ter lido em seus "estudos", já que freqüenta esses tipos de site também); isso, contudo, não significa que espíritos impuros incorporam em *fiéis* cristãos ou que o Espírito Santo freqüenta terreiros de baixo espiritismo. Aqui em Santos, existe um terreiro chamado "Igreja 'Jesus a Chave da Umbanda'"; então, por isso, significaria no seu ponto de vista que estes umbandistas são cristãos? Poderiam se tornar uma igreja como as milhares de denominações cristãs protestantes que você conhece?

Não preciso ir muito longe para mostrar como o seu raciocínio da "semelhança" como prova de "algo comum" está completamente equivocado, devendo ser totalmente desprezado. Infelizmente, sua visão fundamentalista o torna cego para essas coisas.

Com relação a cruz invertida, é mais lógico crer que significa o inverso do cristianismo do que crer na suposta morte de Pedro.

Esta é a *sua* livre interpretação (condenada em 2Ped). E, como tal, dependerá do público-alvo da sua pregação. Se você fala para satanistas, ignorantes da origem inicial da cruz invertida em meio cristão, isso é verdade; se você fala para protestantes fundamentalistas, mais avessos à cultura, talvez também possa ser encarado como verdade; se você fala para protestantes históricos, mais sérios e comprometidos com a exegese bíblica, dificilmente se convencerão disso; falando para católicos e ortodoxos, que reconhecem também a Sagrada Tradição Apostólica, isso não será aceito como verdade.

O problema é que você, apenas com a Bíblia, não tem como provar que a cruz invertida é símbolo satânico. Se você recorre a outra fontes (de tradição cristã ou satânica), estará desprezando a doutrina fundamental do Protestantismo que é a "Sola Scriptura" e, fazendo-o, das duas uma: ou você não é protestante ou você está criando um Protestantismo do Protestantismo, admitindo que a doutrina da "Sola Scriptura" não pode ser levada a sério pelos cristãos [protestantes]...

(Como será que conseguiram deixar uma cruz invertida em pé, cravada no chão?)

Me admira você escrever uma coisa destas! Você não sabe que a haste vertical da cruz já se encontrava "plantada" no terreno e que o condenado carregava a haste horizontal até o local do súplicio, sendo esta então fixada na haste vertical? Assim, qual a dificuldade? Recorde-se ainda que na época de Cristo a crucificação era pena tão comum que os soldados romanos se divertiam crucificando os condenados nas mais variadas formas possíveis, inclusive de cabeça para baixo... Portanto, pode estar certo que, quando o próprio Pedro pediu para ser crucificado dessa maneira, os soldados adoraram ainda mais a idéia.

Quer provas? Ei-las:

    1. Enciclopédia "Conhecer", ed. Abril (1971), artigo "A cruz antes e depois de Cristo", vol. 4, pág. 839: "Os soldados romanos divertiam-se pregando as vítimas nas posições mais variadas, e tal era o número delas, que não havia mais espaço para as cruzes, nem cruzes suficientes para os condenados". O historiador judeu contemporâneo Flávio Josefo diz exatamente o mesmo.
    2. (a) "História Eclesiástica: os primeiros quatro séculos da Igreja cristã", Eusébio de Cesaréia, ed. CPAD-Casa Publicadora das Assembléias de Deus (2000), pág. 79: "Pedro parece ter pregado aos judeus da dispersão em Ponto, Galácia, Bitínia, Capadócia e Ásia, e no fim chegou a Roma e foi crucificado de cabeça para baixo, pois pediu para si esse sofrimento"; (b) Antes de Eusébio, já Orígenes (+253) falara a mesma coisa: "Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo".
    3. Se você também consultar a "Grande Enciclopédia Larousse Cultural", ilustrada, vol. 7 (1998), verbete "Cruz", na pág. 1713, poderá ver que existe um quadro contendo 26 tipos de cruzes, entre elas (a nº 3), uma cruz invertida devidamente chamada "cruz de São Pedro", por fazer referência ao martírio do bem-aventurado Apóstolo. Como você pode ver, então, a cruz invertida invoca muito mais apropriadamente uma origem cristã do que satânica.

E também não é só o trono do papa que possui esta cruz, o gesto que os católicos fazem da cruz: testa, peito, esquerda, direita, dá uma cruz invertida também!

Só se o seu peito ficar à altura do início do pescoço ou o sinal for mal feito... Quando feito da forma prescrita, o sinal da cruz tem a sua "trave horizontal" (esquerda/direita) exatamente à meia altura da "trave vertical" (testa/peito); nem mais pra cima, nem mais pra baixo, tal como uma cruz grega (diga-se, para reforçar, que tal gesto tem mesmo origem nos primitivos cristãos de cultura grega e não latina). Além do mais, tal sinal é tão antigo quanto o Cristianismo, sendo respeitado (e feito) também por ortodoxos, cristãos orientais cismáticos e, inclusive, algumas denominações protestantes mais antigas.

Logo, o que você está falando, também não tem qualquer fundamento, nem histórico, nem lógico...

O catolicismo está longe do cristianismo, mais perto de um "pedrianismo" ou "marianismo"...

Aqui você cai novamente em contradição (embora talvez já seja sinal de algum avanço): primeiro você liga a Igreja Católica ao satanismo/anticristo (v. título de seu e-mail nº 3), o que é essencialmente mau; agora, você a liga a Pedro ou Maria (provavelmente querendo se referir a uma possível "idolatria" por parte dos católicos), o que já não pode ser considerado mau, mas muito pelo contrário quando devidamente entendido...

Creio que você está ficando confuso ou desesperado... Você ainda não provou que a cruz invertida é símbolo do Anticristo (a não ser para os satanistas e ocultistas, e, mesmo assim, quase um milênio após seu uso pelos cristãos) e, mesmo ligando o Catolicismo a Pedro ou Maria - grandiosas, respeitáveis e santas figuras do Novo Testamento - está ainda querendo insinuar que o Catolicismo não é cristão?? Alto lá! Prove primeiro o que você disse quanto à cruz invertida usando apenas o que está escrito na Bíblia! Para mim - assim como para qualquer católico, ortodoxo e protestante em são juízo - o que está escrito ou o que provém de fontes satânicas, ocultistas, espíritas, gnósticas ou esotéricas *nada valem*, pois não gozam de inerrância na nossa fé, ao contrário da Igreja que é "a coluna e fundamento da Verdade" (cf. 1Tim 3,15), graças à promessa de Jesus Cristo, *único Senhor e Salvador nosso*.

Não sei se viu o papa recebendo o simbolo de shiva na testa... (deus da destruição), ou usando a cruz vergada, usada para fazer bruxarias...

Por enquanto, o que sei é que você *afirmou* que a cruz invertida é símbolo de Satã/Anticristo, mas até agora você não mostrou onde a Bíblia afirma isso (mas pelo contrário, já até "confessou" que a Bíblia não o declara). Não nos desviaremos do assunto enquanto você não provar o que diz mediante a "Sola Scriptura", que você contraditoriamente afirma seguir (v. parágrafo seguinte).

*** Não larguei a "sola scriptura", porque não sigo outros ensinamentos além do que as escrituras nos apresenta. Ela é a minha única regra de fé e prática.

João 8,44 afirma (com toda razão): "O diabo é o pai da mentira". Você, por outro lado, afirma:

    • "Todos sabemos que a cruz invertida é o símbolo do anticristo" (e-mail nº 1)
    • "A cruz de cabeça para baixo significa anticristo" (e-mail nº 2)
    • "A cruz invertida [...] não está na bíblia" (neste e-mail, 1º §)
    • "Pregar 'além do que está escrito' [na Bíblia] já não é mais ser cristão" (neste e-mail, 2º §)
    • "Conhecer as crenças não é ir 'além das escrituras' [...] porque eu não sigo nem creio em outras doutrinas" (neste e-mail, 3º §)
    • "Não larguei a 'sola scriptura', porque *não sigo* outros ensinamentos além do que as escrituras nos apresenta" (neste e-mail, § supra)

Vamos às conclusões lógicas derivadas de suas próprias palavras, combinadas com as palavras inspiradas do apóstolo João:

    • SE, E SOMENTE SE, não devemos pregar OU crer em *outros* ensinamentos OU doutrinas *além* dos apresentados na Bíblia E se o simbolismo da cruz invertida como símbolo satânico/anticristo não é *expresso* na Bíblia LOGO *ensinar* que a cruz invertida é símbolo do Anticristo é *mentira* porque a "Sola Scriptura" não o permite afirmar.
    • SE o pai da mentira é o diabo LOGO quem ensina (ou defende) uma mentira é seqüaz do demônio.

Desta forma, meu caro, diante de tantas contradições, faço um paralelo com o que você escreveu mais acima: "isso basta para não crermos, ou melhor, para ficarmos com um pé atrás" com o que você, o "pr." Bay e outros falsos mestres ensinam. Como diz o apóstolo Pedro, com a livre interpretação, vocês distorcem as Escrituras para a própria perdição. Que Deus tenha piedade de vocês!

Apenas tomo conhecimentos de fatos e acontecimentos e estudo o máximo de crenças possível.

Absolutamente não. Percebe-se que você apenas lê o que lhe interessa e interpreta os fatos conforme o seu bel prazer. Seu estudo não é imparcial, mas parcial - bem parcial mesmo. Não sabendo interpretar fatos e registros históricos, como poderá bem interpretar as Escrituras?

O problema é que vc está achando que estudar, conhecer, é deixar de crer apenas na biblia.

Não; para mim estudar é, além de conhecer, aprender! E aprender não é somente decorar, mas analisar, saber discernir o que é, o que não é e o que pode ser; em outras palavras: é formar senso crítico.

Eu sei que a cruz invertida não é o correto, porque não está na biblia.

Volto a insistir, diante de tantas contradições:onde a Bíblia afirma isso?? Por favor cite: livro, capítulo e versículo(s).

Mas fui atrás do que significa.

Em fontes satânicas e de magia negra? Procurou saber se alguma vez no tempo, antes do papa João Paulo II usá-la, algum outro papa a usou? Se os cristãos primitivos a usaram? Não!

Tentou perguntar seu significado para algum católico, já que era o papa que a estava usando? Não! Você preferiu interpretar diretamente e lançar a acusação contra o papa e a Igreja Católica!

Tudo isto demonstra a sua parcialidade! Você recorre a fontes parciais, anticatólicas! Você não está interessado em conhecer o porquê dos fatos, *da parte de quem os produz* e, portanto, sabe o significado; você está apenas interessado em propagar a sua opinião, a sua interpretação, o seu achismo. Você quer se fazer ouvido, não quer ouvir. Sua intenção é puramente proselitista...

Acaso poderia um cristão pedir para um judeu explicar a divindade de Jesus ou a Santíssima Trindade? Óbvio que não, a menos que você queira pôr em risco a sua própria fé. E é exatamente isso o que você encontra vasculhando uma fonte satânica para explicar um símbolo cristão: a total deturpação, com risco total para a sua fé!

Assim como eu sei que vcs se curvam perante Maria, e saber isso não é sair das escrituras.

Sim, até porque se curvar diante de alguém nas Escrituras nem sempre é sinônimo de adoração, mas também de veneração e respeito (v. p.ex.1Sam 25,23), como fazem os católicos diante de Maria e dos demais santos, como exemplos que apontam unicamente para Cristo, este sim único Salvador e digno de toda e qualquer adoração.

Mas não nos desviemos por enquanto do assunto principal: prove que a cruz invertida é símbolo do Anticristo/Satã segundo as Escrituras Sagradas. Isto você ainda não o fez...

=> "Ir além das escrituras é ACEITAR outras doutrinas, e não simplesmente CONHECÊ-LAS."

Perfeito: é exatamente o que você faz, *afirmando* que a cruz invertida é símbolo de Satanás e do Anticristo. Tal afirmação (que você acaba convertendo em doutrina, já que visa ligar fundamentar a sua crença de que o Catolicismo é satânico) não consta nas Escrituras; logo, é doutrina adicional, outra doutrina. Conseqüentemente, está *além* das Escrituras e a sua "Sola Scriptura" cai totalmente por terra, bem como a sua seriedade e a sua classificação como "cristão", já que você precisa recorrer a uma "verdade" citada pelo Ocultismo para explicar algo que não está na Bíblia. Pense bem agora em quem é discípulo de Satanás...

Fico pedindo - agora mais do que nunca - para que Deus o ilumine e o livre das garras do demônio que o impede de raciocinar. []s.

Carlos Nabeto

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

A Bíblia prova a Reencarnação como diz Allan Kardec?

Muitos espíritas têm e leêm a Bíblia. Eles gostam de certos Salmos, citam algumas bem-aventuranças do Sermão da Montanha, rezam o Pai-Nosso e se utilizam de alguns versículos para justificarem suas doutrinas e práticas [por ex.: querem provar que João Batista foi a reencarnação do profeta Elias].

Entre muitos outros, Allan Kardec (pseudônimo de Léon Hippolyte Denizart Rivail, principal codificador do Espiritismo), comentou diversas passagens bíblicas em suas obras, querendo com isso provar que as Sagradas Escrituras atestam e aprovam os ensinamentos espíritas[1]. Entretanto, poderia a Bíblia aprovar e condenar ao mesmo tempo as práticas e doutrinas espíritas? Certamente que não! Prova disso é que os próprios espíritas não aceitam integralmente a Bíblia como Palavra de Deus[2], mas somente pinçam alguns textos para que possam - como dissemos - apoiar suas doutrinas ou, no mínimo, para aproximar-se com mais eficência dos incautos.

Neste artigo, analisaremos - cuidadadosamente - apenas as passagens bíblicas citadas pelos espíritas para "provar" a existência da reencarnação e da "legitimidade" da evocação de espíritos. Entretanto, nós, cristãos, nunca devemos esquecer que o "Evangelho segundo o Espiritismo"[3] não é a mesma coisa que o "Evangelho de Cristo", uma vez que seus princípios fundamentais são inversamente proporcionais...


I - João Batista era o Profeta Elias reencarnado?

"Todos os profetas e a Lei profetizaram até João. E se quiserdes aceitá-lo, ele é o Elias que há de vir. Quem tem ouvidos, ouça" (Mateus 11,13-15).

Kardec achava que esta passagem era prova inequívoca da reencarnação, com toda a autoridade de Jesus. Era o próprio Messias que afirmava: João era o Elias reencarnado! A verdade, porém, é bem outra, pois Elias jamais desencarnou, conforme o testemunho da mesma Bíblia:

"Ora, enquanto [Elias e Eliseu] seguiam pela estrada conversando, de repente apareceu um carro de fogo com cavalos também de fogo, separando-os um do outro; e Elias subiu para o céu no turbilhão" (2Reis 2,11).

Também o próprio João Batista negou que fosse o profeta Elias, como prova o texto a seguir:

"E este foi o testemunho de João quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: 'Quem és tu?'. Ele confessou e não negou, dizendo: 'Eu não sou o Cristo!'. E lhe perguntaram: 'Mas então quem és? És Elias?' Ele respondeu: 'Não sou!' [Perguntaram:] 'És o profeta?' E ele respondeu: 'Não!' Disseram-lhe então: 'Quem és, para que possamos dar a resposta a quem nos enviou? O que dizes de tu mesmo?' Disse ele: 'Eu sou a voz que clama no deserto: «Endireitai o caminho do Senhor», conforme disse o profeta Isaías!" (João 1,19-24).

Logo, a interpretação espírita de Mateus 11,13-15, identificando João Batista com Elias reencarnado, é simplesmente arbitrária e digna de total descrédito, já que o mesmo João Batista afirmou categoricamente que não era Elias.

Na verdade, a vinda de Elias como precursor do Messias era crença da religiosidade popular judaica, uma vez que ele era considerado o grande defensor do Javismo e inimigo da idolatria. Tinha, portanto, uma grandeza moral inquestionável e gozava de alto prestígio na religiosidade judaica.

Assim, quando os evangelistas escreveram os Evangelhos, retomaram a tradição e crença populares sobre o Elias-precursor e aplicaram a João Batista, que era, de fato, o precursor de Elias (Mateus 11,10; Marcos 1,2; Lucas 7,27), de maneira que quando Jesus afirma que João "é o Elias que há de vir" não está se referindo à improvável reencarnação de Elias mas observando que João reproduz o papel de Elias em virtude de seu temperamento forte e destemido.


II - Nascer de novo = Reencarnação?

"Em resposta [a Nicodemos] Jesus disse: 'Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus" (João 3,3).

Para os espíritas, esta passagem é a prova de que Jesus acreditava na reencarnação. Allan Kardec interpretava assim: "Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo. [...] Se a crença na reencarnação fosse errada, Jesus não teria deixado de combatê-la, como combateu tantas outras; longe disso, ele a sancionou com toda a sua autoridade e a afirmou como condição necessária..." (O Evangelho segundo o Espiritismo).

Aqui, como em outras passagens, Kardec se equivoca tanto na tradução quanto na interpretação:

Primeiro, porque o texto bíblico original não diz "nascer de novo" mas sim "nascer do alto"; o termo grego empregado é "anothen", um advérbio que significa "do céu, de cima, do alto" em oposição ao significado de "terreno". Logo, "nascer do alto" significa "nascer do Espírito" através da água como vemos mais adiante, no versículo 5; jamais terá o significado de "reencarnar-se".

Segundo, porque o próprio Nicodemos dá a entender que Jesus não está de modo algum falando de reencarnação. De fato, no versículo 4, Nicodemos pergunta a Jesus: "Como o homem pode voltar a nascer se já é velho? Acaso poderá entrar novamente no seio de sua mãe para renascer?", ao que Jesus responde falando do novo nascimento pela água e pelo Espírito no versículo 5.

Portanto, querer interpretar João 3,3 como prova da reencarnação é, no mínimo, querer forçar e adulterar a intenção original de Jesus, do autor sagrado, da gramática grega e também da exegese bíblica. Tal proposta, porém, nunca poderá ser acolhida com seriedade...


III - Reencarnação: purificação dos pecados em vidas passadas?

"Caminhando, viu Jesus um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram-lhe, dizendo: 'Rabi, quem foi que pecou para ele nascer cego? Ele ou os pais?' Respondeu Jesus: 'Ninguém pecou, nem ele nem seus pais. Mas foi para que nele se manifestassem as obras de Deus'" (João 9,1-3).

A pergunta feita pelos apóstolos passa a falsa impressão de que eles acreditavam na doutrina espírita que afirma que os males e as doenças sofridas pelas pessoas neste mundo são conseqüências dos pecados cometidos em vidas anteriores.

Citando este texto, Kardec quer mostrar que os judeus da época de Jesus também acreditavam na reencarnação, o que, entretanto, não é verdade: os judeus daquele tempo achava que uma pessoa pagava por um mal cometido por ela própria (naquela mesma vida) ou então por algum antepassado. Tal idéia, contudo, já havia sido combatida pelos profetas Jeremias e Ezequiel, no Antigo Testamento e Jesus, por seu turno, também desmente categoricamente essa crença popular judaica (cf. vers. 3).


IV - Ressurreição ou Reencarnação? - I

"Teus mortos reviverão e os cadáveres ressurgirão. Despertai e alegrai, vós que habitais no pó, pois o Teu orvalho é um orvalho de luz e a terra das sombras dará à luz" (Isaías 26,19).

Allan Kardec afirmava que a expressão "teus mortos reviverão" era outra prova bíblica da reencarnação. Entretanto, a exegese mostra que se refere à ressurreição nacional: o profeta quer dizer que os inimigos do povo de Deus serão vencidos e aniquilados um dia enquanto que o povo de Deus crescerá.

O texto nada tem a ver com reencarnação... A propósito, ver nosso artigo "Qual a diferença entre reencarnação e ressurreição?".


V - Ressurreição ou Reencarnação? - II

"Mas morre o homem e jaz inerte. Expira o mortal e o que é dele?" (Jó 14,10).

"Acaso poderá reviver o homem que morre? Eu suportaria todos os dias da minha vida até chegar a libertação" (Jó 14,14).

Para basear sua doutrina reencarnacionista nestas passagens bíblicas, Kardec fez uso de uma tradução livre feita pela Igreja grega, que diz:

"Quando o homem está morto, ele vive sempre. Terminado os dias da minha existência terrestre, esperarei porque à vida voltarei novamente".

Não é necessário fazer muito esforço para perceber como esta tradução se distancia enormemente do texto original... Kardec precisou usar essa tradução imprecisa para concluir: "'esperarei' parece antes se aplicar à nova existência". Repare, contudo, que o versículo 14, segundo o texto original, diz justamente o contrário: "Acaso poderá reviver o homem que morre?".

Assim, o texto aqui citado constitui um dos primeiros sinais de esperança do homem numa futura ressurreição. A interpretação espírita simplesmente extrapola o texto e a intenção do seu autor, que é uma visão de esperança e fé, otimista e responsável.


VI - Evocação de espíritos: certo ou errado?

"Ora, Samuel tinha morrido e todo Israel tinha pranteado. Enterraram-no em sua cidade natal, Ramá. Saul tinha eliminado do país os necromantes e adivinhos. Então os filisteus se reuniram e avançaram, acampando em Sunam. Em vista disso, Saul mobilizou todo Israel e pôs acampamento no Gelboé. Mas quando Saul avistou o acampamento dos filisteus, foi tomado de medo e seu coração tremeu fortemente. Saul consultou ao Senhor, mas Ele não lhe deu resposta nem por sonhos, nem pela sorte e tampouco através dos profetas. Então Saul ordenou a seus servos: 'Procurai uma mulher que evoque os mortos pois quero consultá-la'. Seus homens lhe responderam: 'Há uma mulher dessas em Endor'. Saul se disfarçou, vestindo outras roupas e se pôs a caminho com outros dois homens. Chegaram à casa da mulher de noite. Então ele disse: 'Peço-te que me adivinhes pela necromancia e me faças subir aquele que eu te disser'. Mas a mulher lhe disse: 'Certamente bem sabes o que fez Saul: como exterminou da terra os necromantes e adivinhos. Por que me armas uma armadilha para que eu seja morta?' Então Saul jurou em nome do Deus eterno: 'Pelo Eterno, o Deus Vivo, prometo-te que não serás castigada por isso'. Então a mulher perguntou: 'A quem devo fazer subir?' Respondeu ele: 'Chama-me Samuel'. Quando a mulher viu Samuel, deu um grito e disse a Saul: 'Por que me enganaste? Tu és Saul'. Respondeu o rei: 'Não temas. O que vês?' Disse ela: 'Vejo um espírito subindo da terra'. Perguntou Saul: 'Qual a sua aparência?' Respondeu ela: 'É um velho envolto num manto'. Então Saul percebeu que era Samuel; ajoelhou-se e encostou o rosto na terra em sinal de respeito. Então Samuel disse a Saul: 'Por que me incomodas? Por que me fizeste voltar?' Saul respondeu: 'Passo por grande dificuldade: os filisteus guerreiam contra mim e Deus me abandonou. Ele não me responde nem pelos profetas, nem por sonhos. Por isso te chamei para que me digas o que devo fazer'. Disse Samuel: 'Por que me chamaste se o Deus Eterno o abandonou e tornou-se teu inimigo? O Eterno fez contigo aquilo que havia prometido fazer, por meio de mim: tirou o teu reino e o entregou a outro, a Davi. Desobedeceste a ordem do Deus eterno pois não destruíste completamente os amalequitas e tudo o que tinham; por isso, o Eterno agora age assim. Ele te entregará, junto com todo o povo de Israel, aos filisteus. Amanhã tu e teus filhos estarão comigo [na região dos mortos]. E o Eterno também entregará o exército de Israel aos filisteus'. No mesmo instante, Saul caiu estendido por terra, aterrorizado com as palavras de Samuel" (1Samuel 28,3-20a)

A moderna (e séria) parapsicologia pode explicar o fato acima naturalmente. Na verdade, não houve aparição do espírito de Samuel. Vemos que Saul vivia um drama pessoal muito grande: estava desgastado psíquica e fisicamente; vivia atormentado, transtornado e neurótico; sentia-se isolado, solitário e desamparado; para piorar ainda mais, estava aterrorizado diante de seus inimigos e ninguém mais o escutava (nem Deus, nem os homens).

Completamente desesperado, resolveu apelar para o além, para tentar se libertar das suas angústias e sujeitou-se ao erro, apelando para algo que ele mesmo havia condenado.

Para obter a ajuda da médium de Andor, Saul precisou caminhar muito e estava exausto. Seu quadro psicológico negativo favoreceu a ação da médium. Após obter garantia de vida, a médium repetiu tudo aquilo que Saul já tinha conhecimento por intermédio do profeta Samuel, quando este ainda vivia (cf. 1Samuel 15; 26; 28). Neste trecho, as palavras condenatórias de Samuel são tidas como se fossem de seu espírito evocado, porém, todos já sabiam que Saul estava com seus dias contados...

O episódio acima relatado tem como objetivo salientar duas coisas:

- Mostrar que Saul fora rejeitado por Deus e pelo povo. Tal rejeição já lhe havia sido comunicada durante a vida de Samuel e continuou confirmada. O texto então apenas volta a afirmar que Samuel permanece condenando Saul, ainda que esteja morto.

- Salientar a grande figura do novo rei, isto é, Davi, que chorou a morte de Saul, por ter sido rejeitado por Deus e por Samuel.

Assim, o relato não visa tratar sobre a "evocação de mortos" mas versa sobre a rejeição do rei Saul usando um recurso literário cheio de simbolismo onde Samuel aparece novamente para confirmar a rejeição de Saul. Aliás, diga-se de passagem que a evocação do espírito de Samuel somente veio a acirrar a ira divina, como declara 1Crônicas 10,13-14:

"Saul morreu assim por causa do mal que tinha feito contra o Senhor, por não ter obedecido a Palavra do Senhor e, ainda por cima, por ter consultado o espírito de um morto a fim de obter revelação, ao invés de buscar a revelação por parte do Senhor. Por isso, o Senhor o fez morrer e transferiu a realeza para Davi, filho de Jessé".

A condenação das práticas espíritas é amplamente testemunhada na Bíblia, verdadeira Palavra de Deus: Levítico 19,26; 19,31; 20,6; 20,27; Deuteronômio 18,10-12; 1Samuel 28,3b; 1Samuel 18,6-7.11.15a; 1Crônicas 10,13-14; 2Crônicas 33,6; Isaías 2,6; 8,19; Atos 16,16-18; 19,19; Gálatas 5,19-21; 1Timóteo 4,1-2.


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Notas:

[1] Mais um motivo pelo qual mostramos que a doutrina da "Sola Scriptura", defendida pelos protestantes, além de ser anti-bíblica, é também falsa, pois senão teríamos que aceitar como verdadeiras, embora comunicadas de maneira diversa, as errôneas proposições espíritas.

[2] Os espíritas assumidos, que realmente conhecem a doutrina do Espiritismo, afirmam que a Bíblia está cheia de erros e contradições, e que jamais foi inspirada por Deus. Não raro, também afirmam que os Apóstolos de Cristo (e seus sucessores, por conseqüência) não entenderam os ensinamentos de Jesus e que tudo o que transmitiram à Igreja está errado ou falsificado. Veja-se, no entanto, 1Tim 3,15.

[3] "Obra-prima" de Kardec.

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

A Bíblia nos proíbe de comer certos alimentos?

Há alguns anos uma leitora me escreveu (em azul):

Há algum tempo decidi que não quero ser mais aquela católica que só vai à missa e não pensa e não descobre o significado de toda a simbologia de nossa igreja e sua doutrina. Neste sentido essa página tem sido de grande utilidade. Desde já agradeço pelo esforço de nos instruir cada vez mais em nossa fé.

  • Agradeço suas cordiais palavras e tenho certeza que você prosperará na fé católica, pois já está manifestando o quesito principal: interesse e força de vontade. Parabéns!
Gostaria que me fosse tirada algumas dúvidas, se possível:
  • Antes de tirar suas dúvidas, pelo que estive vendo parece-me que você andou lendo algum livro escrito por Ellen Gould White ou algum outro autor adventista, já que todas as suas questões se referem a erros propagados pelos adventistas do sétimo dia... Mas vamos às respostas:
É verdade que é pecado comer sangue de animais, como galinha ao molho pardo, por exemplo?
  • É claro que não! Esse tipo de colocação é próprio de seitas que acentuam o legalismo do Antigo Testamento, como fazem os adventistas. Tal imposição é ridícula porque, se por um lado defendem que certos produtos não devem ser consumidos, por outro lado não preparam os alimentos que julgam consumíveis com o mesmo cuidado que o Antigo Testamento exige, demonstrando, assim, total contradição. E mais: até a época de Noé não se fazia distinção entre animais puros e impuros; veja-se Gn 9,2-3: "Sereis temidos e respeitados por todos os animais da terra, por todas as aves do céu, por tudo quanto rasteja sobre a terra e por todos os peixes do mar, entrego-os ao vosso poder. TUDO O QUE SE MOVE E TEM VIDA SERVI-VOS-Á DE ALIMENTO. DOU-VOS TUDO ISSO COMO JÁ VOS TINHA DADO AS PLANTAS VERDES". A distinção passa a existir apenas na época de Moisés (Dt 4); mesmo assim, somente os judeus estavam obrigados a observar e não os gentios, como se depreende de Dt 14,21: "Não comerás nenhum animal que tenha morrido por si; ao peregrino que está dentro das tuas portas o darás a comer ou o venderás ao estrangeiro". Com a vinda de Jesus fomos todos libertados de qualquer jugo remanescente da Lei Mosaica: "Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o Seu Filho, nascido de mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que se encontravam sob o jugo da Lei e para que recebêssemos a filiação adotiva" (Gl 4,4-5). Isso explica porque Jesus declarara à multidão: "NADA há fora do homem que, entrando nele, o torne impuro" (Mt 15,11); e, para dissipar as dúvidas levantadas pelos próprios apóstolos, Jesus foi mais claro ainda: "Não percebeis que tudo quanto de fora entra no homem não pode torná-lo impuro porque não penetra-lhe no coração mas no VENTRE e depois é expelido?" (Mt 15,17), demonstrando estar se referindo à inexistência de alimentos impuros (motivo pelo qual os fariseus ficaram escandalizados, cf. Mt 15,12). São Paulo, escrevendo aos colossenses, diz: "Que ninguém vos critique por questões de COMIDA OU BEBIDA, pelas festas, luas novas ou sábados. Tudo isso nada mais é que uma sombra do que haveria de vir, pois a realidade é Cristo" (Cl 2,16-17). O problema, como vemos, é que os adventistas pretendem ter autoridade não apenas sobre a Igreja de Cristo, como também sobre os apóstolos e o próprio Cristo, o que é um absurdo!
O que Jesus quer que façamos quando diz: "fazei penitência"?
  • A penitência consiste na dor dos pecados acompanhada pela conversão da vida. Ocorre que a conversão não se dá com um simples desejo de querer se converter, mas também com a reparação dos pecados efetuados, através de atos penosos. Só assim podemos falar de real reconciliação com Deus e os irmãos (cf. Mt 5,23-24).

    É pelo sacramento da Penitência que obtemos o perdão dos pecados e nos reconciliamos com Deus e os irmãos. Mas, para que esse sacramento tenha efeito, é necessários os seguintes atos fundamentais:

    1. Contrição: o sentimento de dor e repúdio pelo pecado praticado (é essencial!);
    2. Confissão: humildade de contar o pecado cometido ao sacerdote;
    3. Satisfação: reparação do pecado através do cumprimento da penitência imposta;
    4. Absolvição: o recebimento do perdão em nome de Deus, trazendo a plena reconciliação.

    Para compreender bem a penitência, recomendo a leitura dos seguintes trechos bíblicos: Mt 4,17; 18,18; Mc 1,15; Lc 5,17-26; 7,50; 15,11-24; 19,10; 23,43; Jo 8,10-11; 20,22-23.

Quando exatamente foi instituída a guarda do domingo? Ouvi dizer que teria sido o papa Constantino que não era convertido e adorava o deus sol. Você tem algum conhecimento sobre isso?
  • O domingo sempre foi destinado ao culto divino pelos apóstolos e fiéis cristãos, pois foi o dia em que Jesus ressuscitou (cf. Jo 20,1) e a Bíblia nos prova isso em diversas passagens: Jo 20,19-21; Jo 20,26-28; At 2,1-3; 2,14-16; 2,41; 20,6-7; 1Cor 16,2.

    Deve-se saber separar a guarda do domingo pelos cristãos (dia em que se reuniam para o culto), do sábado que usavam para evangelizar os judeus em suas sinagogas (dia de guarda dos judeus). Seria o mesmo que uma igreja adventista me permitisse entrar para pregar para seus fiéis: eu iria num sábado e os evangelizaria, porém, no dia seguinte, domingo, iria à missa para adorar o meu Senhor (como fazem a esmagadora maioria dos cristãos, sejam eles católicos, ortodoxos ou protestantes).

    Quanto à Constantino, ele foi imperador de Roma e não papa. Também não foi ele que instituiu a guarda do domingo, pois os cristãos já o guardavam como demostra a Bíblia e os antigos testemunhos cristãos (como, por ex., o de São Justino mártir, Santo Inácio de Antioquia, Didaqué, epístola de Barnabé etc.); o máximo que Constantino fez foi transformar o domingo em feriado imperial uma vez que tinha decretado o fim das perseguições contra os cristãos em 313.Agiu assim para dar aos cristãos igualdade de condições com as demais religiões professadas em seu Império. Essas afirmativas somente demonstram a má-fé ou a falta de conhecimento histórico do autor do livro que você está lendo...

    Portanto, Cabe aqui, mais uma vez, a advertência de São Paulo em Cl 2,16-17: "Que ninguém vos critique por questões de comida ou bebida, pelas festas, luas novas ou SÁBADOS. Tudo isso nada mais é que uma sombra do que haveria de vir, pois a realidade é Cristo".

Gostaria de pedir informações sobre a história da igreja, especialmente sobre os bastidores da reforma e contra-reforma.
  • Não há dúvidas de que os anos anteriores à ocorrência da Reforma Protestante foram infelizes para a Igreja Católica pois vários papas sem o mínimo de vocação religiosa, mas ávidos pelo poder (bem como vários integrantes do clero), não raras vezes escandalizavam e causavam grande indignação entre os fiéis.

    Mesmo assim - e aí está o sinal de que a Igreja Católica é realmente a Igreja de Cristo - nenhum mal causaram ao corpo doutrinário da Igreja (instituindo uma heresia como se fosse verdade revelada) e a Igreja conseguiu se firmar novamente após a Contra-Reforma. De fato, o próprio Jesus já havia predito que a Igreja seria assolada pelo mal, mas este não conseguiria dominá-la: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as potências do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18). Por isso, se enganaram (e se enganam ainda hoje) aqueles que abandonaram a Igreja Católica e buscaram outra fé; como diz o apóstolo São João: "Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos." (1Jo 2,19).

    Lutero, Calvino e outros - até os mais recentes - não precisariam abandonar a única Igreja do Senhor; se achavam que tinha algo errado, deveriam lutar dentro da Igreja, como fez o grande São Francisco de Assis, que lutou e obteve êxito; porém, não quiseram se submeter e deu no que deu: a doutrina luterana da "Sola Scriptura", por exemplo, que é seguida por TODAS as denominações protestantes, com sua livre interpretação da Bíblia, esfacelou o "cristianismo protestante" em mais de 20 mil ramos! Tal doutrina, jamais foi professada pela Igreja de Cristo: a própria Bíblia não atesta essa doutrina (o que a transforma em verdade antibíblica), nem os cristãos primitivos. Porém, a Bíblia deixa bem claro o destino daqueles que promovem a divisão da Igreja: a perdição eterna (cf. Gl 5,19-21).Gostaria de saber se desde a Igreja primitiva, os livros que os nossos irmãos protestantes chamam de apócrifos fazem parte do Cânon Bíblico.

Gostaria de saber se desde a Igreja primitiva, os livros que os nossos irmãos protestantes chamam de apócrifos fazem parte do Cânon Bíblico. Estou lendo um livro intitulado "A Reforma Protestante" que diz que "alguns desses escritos apócrifos, inclusive um aditamento ao livro de Daniel" foram considerados inspirados somente no Concílio de Trento (1545 - 1563). Gostaria que me confirmasse essa informação.

  • Outra grande mentira! Em sua pregação missionária, os apóstolos usaram a tradução grega da Bíblia chamada "Septuaginta". Prova: das 350 referências literais ao Antigo Testamento, mais de 300 seguem a versão grega e inúmeras são as referências do NT a esses livros. Essa versão da Bíblia possui 7 livros a mais que a versão hebraica definida no séc. I dC, pelos judeus de Jâmnia; mesmo assim tais livros eram usados pelos judeus e os judeus que hoje residem na Etiópia ainda os têm como inspirados. A lista oficial dos livros cânonicos foi definida pela Igreja no séc. IV, pois até aquela época cada Igreja regional tinha seu próprio elenco de livros sagrados. Quando a Igreja definiu o cânon bíblico, usou como parâmetro para o Antigo Testamento a versão grega usada pelos apóstolos (a Septuaginta). Todos os cristãos seguiram esse cânon até o séc. XVI quando Lutero resolveu questionar a validade desses livros, classificando-os como "apócrifos". Notemos, porém, o seguinte:

    1. Os apóstolos usaram essa versão e ninguém questionou;
    2. A Igreja deu o seu "aceite" oficial no séc. IV e ninguém questionou até o séc. XVI;
    3. O MESMO concílio do séc. IV que definiu o cânon do Antigo Testamento definiu também o cânon do Novo Testamento;
    4. Os protestantes que não aceitam o cânon do AT definido no séc. IV aceitam, por outro lado, todos os livros definidos para o NT, o que é uma grande contradição.

    Por sua vez, o Concílio de Trento, apresentando a lista integral dos livros da Bíblia, nada mais fez que repetir as decisões de concílios anteriores, como o de Florença (1441), Trulos (692), Cartago IV (418), Cartago III (397) e Hipona (393) - este último foi, o primeiro a definir oficialmente o cânon da Bíblia. Obs.: também os Concílios do Vaticano I (1870) e II (1965) enumeram os livros bíblicos da mesma forma que os anteriores. Com efeito, podemos afirmar - sem medo algum de errar - que não foi a Igreja Católica que acrescentou livros à Bíblia, mas sim certas denominações protestantes que ousaram a retirar alguns livros de suas Bíblias!

É verdade que dogmas da Igreja Católica como a infabilidade do Papa, a imaculada conceição de Maria e sua ascenção foram incorporados à doutrina católica após a reforma protestante?
  • Todos esses dogmas são professados desde o início do Cristianismo.Na verdade, o autor do livro que você está lendo está querendo confundir os desinformados. O fato do Concílio do Vaticano I (1870), por exemplo, ter definido a infalibilidade papal, não significa que, antes dele, tal dogma não fosse professado pela Igreja; muito pelo contrário: a definição do dogma simplesmente confirma oficialmente aquilo que toda a Igreja já praticava e que já constava na Bíblia e na Tradição. Logo:

    1. Infalibilidade do Papa: se deduz de uma série de passagens bíblicas (Is 22,22; Mt 16,14-19; 18,21; 23,2; Lc 10,1-2; 23,31-32; Jo 21,17; Ap 1,18; etc.). Cristo estabeleceu Pedro como fundamento da Sua Igreja e lhe conferiu as chaves do Reino dos Céus; cabe a ele apascentar o rebanho de Cristo e confirmar os irmãos na fé. O papa não é infalível em todos os assuntos (como falsamente querem fazer supor - para confundir - os inimigos da Igreja) mas apenas nas questões de fé e moral. Logo, o papa não inventa uma nova doutrina, mas confirma certa doutrina como já revelada na Bíblia e na Sagrada Tradição. Além da Bíblia e da Tradição, também a História registra que nenhum papa errou doutrinariamente, o que acaba sendo a prova mais contundente a favor da infalibilidade papal.

    2. Imaculada Conceição: (Gn 3,15; Lc 1,28) Trata-se de um privilégio que foi concedido exclusivamente a Maria em virtude de sua futura maternidade divina (ou seja, por se tornar mãe de Jesus, verdadeiro Deus e homem), antecipando os efeitos da redenção trazida por Cristo, pois de outra forma também Jesus herdaria o pecado original (cf. Sl 50,7; Rm 6,23) e não poderia nos salvar. É por isso que o anjo a chama de "cheia de graça", uma saudação que ninguém mais recebe em toda a Bíblia.

    3. Assunção de Maria: (Gn 5,24; 2Rs 2,1-13; Ap 12,1-5.13-14): Já no AT, o profeta Elias havia sido arrebatado (assunção) ao céu, por ser amigo de Deus; com Maria, mãe do Salvador, não poderia ser diferente! Ap 12,14 diz: "[À mulher] Foram-lhe dadas duas asas de grande águia para que voasse para o deserto para que ficasse fora do alcance da cabeça da serpente", numa clara alusão ao arrebatamento de Maria, pois que outro lugar seria mais seguro que o próprio Paraíso?

      Obs: você emprega o termo "ascenção" ao invés de "assunção"; não sei se você copiou o termo errado do livro ou se é este que lá se encontra... Seja como for, está errado: o único que ascendeu aos céus foi Jesus (pois tinha força própria, como Deus que é); Elias e Maria foram assumptos (arrebatados), pois a força de arrebatamento proveio de Deus, ou seja, não se elevaram aos céus por força própria.

    Finalizando, aqui vai um conselho meu para você que quer viver melhor a sua fé católica: antes de começar a ler livros contrários à doutrina da Igreja você precisa, pelo menos, conhecer melhor a sua fé católica. Depois que você conhecer bem a fé católica aí sim, poderá ler inclusive os livros que a atacam e verá como nada pode desvirtuá-la do caminho da Verdade...

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

A Bíblia é Infalível?

O conceito de inspiração implica na inerrância bíblica, em sua infalibilidade. No entanto, devemos compreender a extensão dessa infalibilidade...

Todas as coisas possuem limites: não é diferente para a Bíblia!

Não poucas vezes, nos defrontamos com pessoas que querem "provar" a todo custo que a Bíblia está cheia de erros científicos, não possui harmonia entre seus vários livros, cai diversas vezes em contradição e tem diversas passagens lendárias. E chegam a exemplificar:

  • Ao abandonar seus pais, com quem Caim se casou, já que não havia mulheres filhas de Adão e Eva? (Gn 4,17);
  • Quantos soldados havia em Israel e em Judá? 800 mil e 500 mil, respectivamente, segundo 2Sm 24 ou 1100 e 470 mil, respectivamente, segundo 1Cr 21?;
  • Mateus atribui ao profeta Jeremias uma profecia de Zacarias (Mt 27,9);
  • Judas se suicidou por enforcamento (Mt 27,5) ou por pular em um precipício (At 1,18)?
e os exemplos se multiplicam...

Tais argumentos fazem aparecer pessoas "iluminadas" que, crendo na total infalibilidade da Bíblia [inclusive em assuntos científicos], encontram respostas inúteis, tais como defender que Judas se enforcou numa árvore próxima de um abismo, tendo caído neste assim que a corda se rompeu!!! Da mesma forma, Galileu Galilei quase foi queimado pela Inquisição por defender que a terra girava em torno do sol e não o contrário, como todos até então acreditavam; isso porque parecia contradizer a passagem de Js 10,12-13, que afirma que o sol parou por ordem de Josué.

Vemos, assim, que tais discussões são inúteis e extremadas! Tudo por causa do conceito de inerrância ou infalibilidade da Bíblia que não é visto de acordo com a verdade. E qual é a verdade? É que a Bíblia é um livro de fé e não um livro de ciências! É infalível para doutrinas da religião, mas não o é para questões científicas.

Deus, quando inspirou os homens que escreveram a Bíblia, esmerou-se por se fazer entender pela humanidade e, para isso, comunicou as verdades da fé usando a linguagem simples da época, que ainda era muito pobre em conhecimentos científicos. Mas não poderia ser diferente! Se Jesus falasse de computadores, aviões e televisão em suas parábolas seria entendido por aquele povo [rude]? Haveria o Cristianismo hoje se os seus apóstolos pregassem algo que não conhecessem???

Para nós que cremos em Deus, não interessa saber se a ordem da Criação está certa ou errada, se a princípio foi criado somente um casal de cada espécie ou não... para nós, o que nos interessa mesmo é saber - e ter a certeza - de que Deus criou tudo no universo: os astros, as estrelas, a terra, os animais e o gênero humano; interessa-nos saber que Deus nos ama, apesar de termos pecado contra Ele (pouco importando se foi porque comemos o fruto de uma árvore, mas porque de alguma forma o desobedecemos). Devemos saber que, por Seu Amor, Deus nos mandou seu Filho único, verdadeiro Deus feito homem, que nos libertou de uma vez por todas do pecado e nos alcançou a salvação... e por aí vai.

Concluímos afirmando que a Bíblia é, portanto, infalível nos assuntos de fé, como sempre foi e sempre será, não devendo invadir o campo da ciência, da mesma forma como esta também não deve se intrometer nos assuntos da fé, para os quais permanece incompetente.

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Nota de Falecimento: Dom Estêvão Bettencourt


É com grande pesar que posto o seguinte comunicado oriundo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro:


FACULDADE DE SÃO BENTO DO RIO DE JANEIRO

Rua D. Gerardo, 68 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Telefone/fax: (21) 2206-8100 – Ramal 8281/8310
Home page: www.faculdadesaobento.org.br


Rio de Janeiro, 14 de abril de 2008


Aos professores, alunos, formadores e auxiliares

Ocorreu hoje, pela manhã, o falecimento do nosso confrade D. Estêvão Tavares Bettencourt, cuja vida foi totalmente dedicada ao serviço da Igreja. Esteve por longos anos como professor da nossa Faculdade, onde lecionou as mais variadas disciplinas. No campo acadêmico desenvolveu inúmeros trabalhos na Universidade Santa Úrsula, Seminário São José e também junto a Escola "Mater Ecclesiae". Publicou muitos trabalhos a nível catequético e pastoral, com especial destaque pela Revista "Pergunte e Responderemos", por ele fundada. Procurou comunicar sempre aos seus leitores o amor à Igreja, assim como a paixão pelas verdades cristãs mais sentidas, ou às vezes mais contestadas, pelo homem do terceiro milênio: a defesa e o amor pela vida. Homem de fé, dedicou-se sempre ao anúncio da palavra de Deus, pela pregação, pelos artigos e pelos livros escritos. Irmão e amigo, sabia ouvir e aconselhar com o dom do discernimento e à luz de um profundo amor à Igreja. Sabia com devoção inflamar a todos com suas palavras, e que manifestavam seu amor a Jesus Cristo, seu zelo pelo Reino de Deus e a sua particular confiança em Nossa Senhora.

Nos últimos tempos a sua saúde estava enfraquecida, mas mesmo assim, era assídua a sua presença na Santa Missa e nos Ofícios Divinos, dando-nos exemplo de virtude e santidade. Aos 87 anos de idade, Deus chamou esse servo bom e fiel para receber o prêmio de sua dedicação. Nestes tempos difíceis da história, certamente há de interceder por nós, manifestando ainda mais seu zelo e solicitude.

Possamos invocar da misericórdia divina a merecida paz em Cristo, pelos seus compromissos como sacerdote zeloso, monge sábio e servidor fiel da Igreja. O seu sepultamento será hoje, no claustro do mosteiro, após a Celebração das Exéquias, na Igreja Abacial, que terá início às 16 horas. Para que todos possam participar deste momento de reverência e oração, comunico que encerraremos as nossas atividades às 15h50min.

Muito fraternalmente,

D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB

Lançado 4º Volume da Série "Citações Patrístiscas"


Diante do sucesso de downloads dos Volumes 1 a 3 da série "Citações Patrísticas", dedicados respectivamente à "Palavra de Deus e a Profissão de Fé", "Deus Pai, Filho e Espírito Santo" e "Maria, os Anjos e os Santos", publicamos agora o Volume 4 desta série abordando o tem"A Igreja de Cristo".

A obra, que conta com o Imprimatur das autoridades eclesiásticas e é prefaciada pelo Prof. Dr. Pe. Manoel Augusto Santos dos Santos, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, reúne o pensamento dos Padres primitivos acerca da Igreja, em especial:

1) A Igreja: Instituição - Corpo de Cristo - Marcas Distintivas - Unidade

2) O Povo de Deus: O Papa - O Clero - Os Fiéis em Geral.

3) O Culto: A Missa - O Calendário

4) Outras Matérias: Instrução Religiosa - Oração - Os Hereges

Cada tema e subtema é introduzido com versículos bíblicos e exertos do Catecismo da Igreja Católica, demonstrando a linha contínua que liga a Igreja dos primeiros tempos diretamente à Igreja Católica de nossos dias.

Este novo volume, lançado APENAS no formato de E-Book, estará disponível GRATUITAMENTE a todos os interessados que manifestarem o desejo de recebê-lo por e-mail. Os leitores que ficarem satisfeitos com o conteúdo da obra são incentivados a procederem uma doação, de QUALQUER QUANTIA, visando a atualização e futura ampliação dos volumes que compõem a série, bem como para colaborar com os novos projetos do Autor, como a expansão e manutenção do site COCP-Central de Obras do Cristianismo Primitivo (http://cocp.veritatis.com.br), que disponibiliza os escritos da Igreja primitiva em sua íntegra.

A série completa, em 6 (seis) volumes, entregará ao leitor mais de 1600 citações patrísticas e estará assim organizada:

- Volume 1: A Palavra de Deus e a Profissão de Fé

- Volume 2: Deus Pai, Filho e Espírito Santo

- Volume 3: Maria, os Santos e os Anjos

- Volume 4: A Igreja de Cristo (e-book que ora apresentamos)

- Volume 5: Os Sete Sacramentos e a Criação

- Volume 6: Escatologia e Questões Diversas

Esta obra é especialmente recomendada a todos os que amam a única Igreja de Cristo e/ou se interessam pela literatura Patrística, especialmente sacerdotes, religiosos, seminaristas, catequistas e ministros extraordinários, além de leigos em geral que queiram conhecer a doutrina cristã tal como foi professada pela Igreja primitiva (e continua sendo pela Igreja contemporânea!).


PEDIDOS

Baixe já o Volume 4 ("A Igreja de Cristo") clicando aqui .

Sábado, 12 de Abril de 2008

Maria na Tradição da Igreja: pequena visão histórica

Eis um bom resumo histórico efetuado por d. Cirilo Folch Gomes, em Riquezas da Mensagem Cristã (Ed. Lumen Christi, pp. 435-437):

A Igreja, em 20 [21] séculos de História, sempre refletiu com amor sobre o mistério de Maria e atesta experimentar sua presença efetiva, manifestada em numerosas aparições e na correspondência ao culto público e privado dos fiéis.

Vamos considerar aqui o desenvolvimento da doutrina marial, cujas bases estão nos mais antigos Padres e da qual o Vaticano II oferece, na "Lumen gentium", uma admirável síntese.

Nos Padres, a reflexão versou, antes de tudo, sobre Maria no mistério da Anunciação e do Natal, destacando seus predicados de Nova Eva e figura da Igreja, bem como o conteúdo doutrinário da Maternidade Divina e Virginal.

O paralelismo Eva-Maria é utilizado desde o século II, para recordar que uma e outra foram criadas imaculadas, "virgens", e para opor suas atitudes: Eva cooperou para nossa ruína; Maria, para a nossa Redenção. São Justino, Santo Ireneu e Tertuliano, pouco depois, são os principais divulgadores dessa comparação, provavelmente originária das Igrejas da Ásia, talvez desde São João Evangelista, a quem se deveria então o complemento da antítese paulina Adão-Cristo.

Maria, ao contrário de Eva, a virgem desobediente, foi dócil à Palavra de Deus, tornando-se
"para si e para todo o mundo causa de salvação", diz Santo Ireneu. Mais adiante, a comparação se elabora também a partir da idéia de "mãe dos viventes", significação do nome "Eva" (Gen. 3,20). Escreve, por exemplo, Santo Epifânio (+403):

"Numa consideração exterior e aparente, dir-se-ia que de Eva derivou a vida (...) Na verdade, é de Maria que deriva a verdadeira vida para o mundo; é ela que dá à luz o Vivente; é ela a Mãe dos viventes".

Maria é comparada também à Igreja. Os Padres viram entre ambas a continuidade de um mesmo mistério, representando Maria o começo do que se passa na Igreja, sendo seu "tipo":
"a Igreja imita Maria", "a Igreja é semelhante a Maria". Se a perspectiva é principalmente a da causalidade exemplar, não faltam sugestões - e já desde Santo Ireneu - na linha do que depois se chamará a Maternidade Espiritual, a cooperação dada pela Virgem à geração espiritual dos fiéis, seu papel de "Mãe dos viventes", visto porém mais à luz do "Fiat" [Faça-se] da Anunciação do que da participação no Calvário. Aceitando ser Mãe do Salvador, Maria "cooperou com sua caridade a fim de que os fiéis nascessem na Igreja" (Santo Agostinho).

A Mariologia dos Padres se concentra principalmente na Maternidade Divina e Virginal. Os "três mistérios de clamor" (isto é, que devem ser anunciados a todo o mundo) são, para Santo Inácio de Antioquia,
"a virgindade de Maria, seu parto e a morte do Senhor".

A expressão "Theotokos" [Mãe de Deus], que surge no século III, talvez proveniente de Orígenes, difunde-se quase como senha da fé, sobretudo a partir de São Cirilo de Alexandria, que a fez consagrar no Concílio de Éfeso, em 435.

O caráter virginal da concepção de Cristo sinaliza a maravilha que é a Encarnação. Indica a filiação divina do Senhor. A virgindade imaculada, da geração no tempo, reflete o esplendor da eterna geração.

A virgindade perpétua de Maria, suposta pelos mais antigos Padres, torna-se explicitamente defendida como verdade de fé por ocasião da opinião contrária, emitida no século IV. E paralelamente vão crescendo na consciência cristã outras percepções da fé, como a da santidade sublime e perfeita da Virgem, seu trespasse glorioso, sua intercessão celeste.

No tempo carolíngio e medieval, de par com o grande desenvolvimento no culto litúrgico de Nossa Senhora, a reflexão se volta para as verdades da Assunção, da Imaculada Conceição e da Mediação de graças. No Oriente, destacam-se, no século VIII, os brilhantes escritos mariológicos de São Germano de Constantinopla, Santo André de Creta e São João Damasceno. No Ocidente, se avultarão, daí por diante, nomes como os de Pascásio Radberto, Ambrósio Autperto, Alcuíno, Santo Anselmo, São Pedro Damião, São Bernardo, Santo Alberto Magno, São Boaventura, São Tomás, o bem-aventurado Duns Scoto e muitos outros. É a época em que se cultua a "Rainha do Céu", a "Mãe de Misericórdia", a "Mãe das Dores", se considera sua presença atuante na vida sacramental, sua relação à Eucaristia, sua "onipotência suplicante", surgindo na liturgia peças como a "Salve Rainha", "Salve Sancta Parens", "Stabat Mater" etc., e as invocações sublimes de São Bernardo, tais como a do "nome de Maria", o "Memorare" etc.

Na Idade Moderna, os temas são principalmente a Imaculada Conceição, que cada vez mais se afirma como verdade de fé, e a parte de Maria na Redenção. Sobressaem, nos séculos XVII e XVIII, os escritos de São João Eudes, São Luís Grignion de Montfort e Santo Afonso de Ligório.

Nos séculos XIX e XX ocorrem as duas definições dogmáticas: em 1854, da Imaculada Conceição; e, em 1950, da Assunção corpórea. Época de várias aparições: Lourdes, La Salette, Medalha Milagrosa, Fátima, Pontmain... Numerosas encíclicas e alocuções pontifícias versam sobre o Rosário, o Culto Marial, a Dispensação das Graças por Maria, a Maternidade Divina, a Realeza, o Imaculado Coração. Desenvolve-se a teologia da "co-redenção" e da mediação de todas as graças. Paulo VI proclama solenemente o título de "Mãe da Igreja", no encerramento da 3ª Sessão do Concílio Vaticano II, em novembro de 1964. A este Concílio se deve, na "Lumen gentium", uma síntese da doutrina mariológica, onde em resumo se diz o seguinte:

A Virgem Maria está no âmago do Mistério de Cristo e da Igreja, pois Deus quis que Cristo, Cabeça da Igreja, nascesse de suas entranhas. Prenunciada no Antigo Testamento, a Virgem é apresentada no Novo como aquela que aceitou ser a cooperadora do desígnio divino da Redenção e a perene associada de todo o itinerário de Jesus Cristo. Por isso, é venerada como a Mãe dos Fiéis, na ordem da graça, experimentando a Igreja sua contínua intercessão materna. Maria deve ser dita ainda, por todo o mistério que nela se realizou, e por sua vida evangélica, o tipo da Igreja e o exemplar dos fiéis. Deve ser-lhe tributado um culto especial, embora essencialmente distinto da adoração que se presta a Deus e a Cristo. Finalmente, em Maria a Igreja vê sempre seu sinal de esperança e conforto.

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

São João Maria Vianney, o Cura d'Ars


Acabo de receber do meu amigo Emerson Oliveira (emeoliv@gmail.com), chargista do Veritatis Splendor, algumas ilustrações que ele preparou sobre São João Maria Vianney, o Cura d'Ars.

Com a autorização do Emerson, publico a primeira dessas ilustrações, que é um retrato do Santo!



E para o conhecerem melhor, eis a sua pequena Biografia:

São João Maria Vianney, ou Cura d'Ars, nasceu em Dardilly, França, em 1786. Segundo seus biógrafos, não tinha muitos dotes pessoais. Desertou do exército napoleônico unicamente porque não conseguia acertar o passo com seu batalhão. No Seminário, não conseguia acompanhar os colegas no estudo e fazia uma confusão mental diante de uma simples página de filosofia ou de teologia. Ordenado sacerdote, foi enviado a uma insignificante aldeia, com cerca de 230 paroquianos. Era o coadjutor do pe. Balley, daquele que, apesar de suas dificuldades em relação ao estudo, confiara nele e o havia preparado para o sacerdócio. Mais tarde, João Maria Vianney tornou-se o cura de Ars. Rezava, fazia penitência, pregava e fazia caridade, cumprindo zelosamente seu ministério sacerdotal. Permanecia horas e horas a fio atendendo confissões dos peregrinos que a ele acorriam de toda a parte da França, a fim de pedir orientações. Ars foi transformada por aquele que viria a ser o patrono dos vigários. Morreu no ano de 1858" ("Os Santos de Cada Dia, J. Alves, Ed. Paulinas, p. 438 [ref. 04 de Agosto]).


Eis aqui outra passagem da vida de S. João Maria Vianney retratada pelo Emerson:

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Os Protestantes reconhecem que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo?


Depende.

Diversas denominações do Protestantismo Histórico reconhecem a autenticidade da Tradição católica que afirma que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo em Roma. E tanto reconhecem, que em alguns de seus templos podemos encontrar referências simbólicas e gráficas acerca desse fato, como podemos ver nestas imagens:



Chaves entregues a Pedro, em forma de cruz invertida - Igreja Episcopaliana de São Pedro de Charlotte, Nova Carolina, EUA (http://www.st-petersweb.org/)


Vitral contendo os símbolos ligados a Pedro: as chaves, o galo e a cruz invertida - Igreja Luterana de Cristo, Las Vegas, EUA (http://www.christlutheranlasvegas.org/)


Vitral apresentando Pedro segurando as chaves do Reino; sobre sua cabeça, o galo; sob seus pés, a cruz invertida - Catedral Presbiteriana da Trindade, Sacramento, Califórna, EUA (http://www.trinitycathedral.org/)


Ornamento sacro apresentando a cruz invertida de São Pedro - Igreja Anglicana de São Pedro ad Vincula, Stoke on Trent, Inglaterra (http://www.thepotteries.org/church/stoke/st_peters.htm)


Vitral apresentando as chaves do Reino entre uma cruz invertida - Igreja Cristã dos Discípulos de Cristo, Cleveland Hights, Cheektowaga, Nova Iorque, EUA (http://www.welgoss.com/chcc/secondaryindex.html)


Pedro, no extremo esquerdo do vitral, tem sobre a sua cabeça o símbolo das chaves e uma cruz invertida - Igreja Batista de Broadway, Fort Worth, Texas, EUA (http://www.broadwaybc.org/worship/windows/commission.html)


Por outro lado, as denominações mais recentes, como os pentecostais e neopentecostais, além de não aceitarem o fato, acusam a Igreja Católica (e, por extensão, estas denominações protestantes) de "trabalhar para o Anticristo", adotando um "símbolo satânico". Para estes fala mais alto o desconhecimento da História e da Simbologia Cristã primitiva...

Para ler uma refutação detalhada contra estas acusações, favor ler o meu artigo "A Cruz Invertida usada pelo Papa é Símbolo do Anticristo?", no site do Veritatis Splendor.


Para ver outras imagens da cruz invertida em templos protestantes e a história completa desta antiquíssima Tradição da Igreja, favor acessar o artigo "El Papa Juan Pablo II y su sillón... ¿satánico?", no site Apologetica.Org.